domingo, 29 de janeiro de 2012

Já em 1872!!

Nós estamos num estado comparável, correlativo à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesmo abaixamento dos caracteres, mesma ladroagem pública, mesma agiotagem, mesma decadência de espírito, mesma administração grotesca de desleixo e de confusão. Nos livros estrangeiros, nas revistas, quando se quer falar de um país católico e que pela sua decadência progressiva poderá vir a ser riscado do mapa – citam-se ao par a Grécia e Portugal. Somente nós não temos como a Grécia uma história gloriosa, a honra de ter criado uma religião, uma literatura de modelo universal e o museu humano da beleza da arte. 

Eça de Queirós, in 'Farpas (1872)'      

sábado, 28 de janeiro de 2012

A disputa do serão


Carrega Benfica!
 Vozes lindas!

Primavera que foste



No tempo em que não tínhamos idade, as amizades floresciam das brincadeiras. Demoradas tardes eram passadas entre corridas e rodopios no meio da rua. Gargalhadas esvoaçantes convidavam a partilha da alegria. Do nosso novo amigo podíamos apenas saber o nome, mas era nosso amigo e ficávamos felizes por termos aprendido um novo jogo.
Depois crescemos, percebemos que o mundo não é cor-de-rosa e a primavera é um sonho. Podemos encontrar flores de todas as cores, podemos ser feridos pelos seus espinhos. Queremos caminhar acompanhados pela segurança de podermos confiar, mas um dia mudamos a direção do nosso olhar e surge uma frustração difícil de diluir. Tarde ou cedo saramos a ferida. Julgamos que criámos defesas suficientes para não nos magoarmos novamente. Contudo, estaremos sempre vulneráveis em cada fria manhã que desperta para um dia que se previa quente.


Julga-se um problema resolvido e surgem logo mais a partir da resolução.